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Este artigo é parte das conversas da RECA, rede de criatividade aplicada, que promove diálogo e projetos entre especialistas no tema.

O colega sai da reunião e eu pergunto como foi. Ele responde “não quero saber se o pato é macho, eu quero é ovo”, imitando a entonação do chefe.
Entendi imediatamente a mensagem: me tragam os resultados e… ponto.
Eu nunca esqueci essa frase. Ela é, para mim, um símbolo da cultura da pressão, onde os meios não são questionados e a única finalidade é o resultado.

É uma cultura que se exacerba na crise, quando estamos vivendo a escassez de recursos e a retração dos mercados, quando ninguém quer trocar o certo pelo duvidoso. Certo?
Nem sempre. A grande riqueza das crises está no fato de representarem momentos de limpeza, em que um modelo antigo de funcionamento ou mesmo os valores de uma dada comunidade estão sendo revistos.

Isso acontece também na sua vida pessoal. Lembre-se de uma crise que viveu. O que havia por trás dela? Talvez uma mudança necessária na vida profissional ou afetiva que você estava adiando, talvez um acontecimento externo, como um acidente ou a morte de alguém querido que veio sacudir a forma como você vivia e se sentia no mundo.

As empresas vivem um processo análogo: seja por motivos externos (como a situação do país ou do mercado em que atuam), seja por motivos internos (ineficiências que vêm a tona, um foco de atuação que está perdendo relevância); a crise representa o momento em que “os grilos” emergem. Eles invadem a operação, entram nos planos de trabalho, dominam reuniões. É na crise que os problemas se evidenciam e, mesmo aqueles que na bonança pareciam irrelevantes, começam a ser notados. E a riqueza das crises é exatamente essa: estamos na temporada de caça aos grilos.

Ah, mas espera aí! Eu vou ficar caçando problema? O que eu preciso agora é entregar o básico! Ok, a gente entende. Com as reduções nos quadros das empresas e os recursos escassos, já é difícil entregar o que foi combinado. Entretanto, há um grande risco em ignorar o grilos e o maior deles é…. os grilos não vão embora! Esquece o inseticida. Os grilos são parte intrínseca da natureza das crises. São aquelas perguntas que doem e que passam, nesse momento, a serem inevitáveis.

Vou dar um exemplo prático que escutei numa troca de ideias com uma colega consultora. A empresa que ela está apoiando trabalha com embalagens de alumínio e, na crise, continua vendendo… embalagens de alumínio. Buscou mais eficiência (ótimo), reviu o modelo de vendas (perfeito), mas a realidade é: será que daqui a 10 anos as pessoas ainda vão comprar embalagens de alumínio?

É hora de redefinir o que fazemos (armazenamento de alimentos frescos? embalagem para o transporte à distância?), porque assim como há mercados entrando em decadência na crise, há outros emergindo. Talvez as pessoas comecem a comer marmitas, e precisem de embalagens térmicas! E se fica muito caro comer num restaurante, quem sabe num food truck? A crise dá mil alertas de onde a inovação pode acontecer.

Claro, a cena na reunião era clara: gente… vamos entregar o resultado. Mas o grilo, ele está bem ali, com seu ruído cada vez mais alto. E não se trata do discurso batido “crise é oportunidade”. Crise é uma droga, ninguém gosta! Mas é ela que move o mundo porque evidencia as transformações que estão sendo gestadas bem debaixo do nosso nariz.

Vale para as empresas, vale para você também. Por isso, na crise, persiga os grilos (os pequenos, os grandes os médios: todos os ganhos serão bem vindos). Transforme-os em perguntas poderosas e procure atacá-las criativamente. Use solução criativa de problemas, reúna os colegas em quem confia, a família, faça uma jornada de empatia, vá a campo entender de onde surgiu o problema escolhido. Será um tempo muito bem gasto! Você aumenta suas chances de encontrar uma resposta que ninguém vislumbrou e, com sorte, poderá transformar essa resposta numa grande oportunidade pessoal ou de negócios.
Aliás, para muitos, o grilo também é um símbolo da sorte.

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