no-na-gar

Todo problema é um nó. É difícil de entender como ficou enredado, mas ele pode ser desatado. Só que a gente trava: nas duas, nas quatro, a gente trava por vários motivos. Então vamos começar por dois clássicos.

  1. “Eu nem sei por onde começar”

Então comece reconhecendo o problema.

Comece distinguindo as várias dimensões que estão ali emaranhadas, vá separando cada um dos fios com paciência ao invés de dar a resposta padrão dos ansiosos que querem logo resolver o problema (aliás esse é o caminho mais curto pra fugir da inovação).

Para isso usamos, por exemplo, o mapeamento de perguntas. Vamos gerando mais perguntas sobre um dado problema, vamos abrindo o território. Contemplamos o que temos, pedimos mais perguntas (não ideias ainda, perguntas!) para os envolvidos no problema.

Dessa forma, é possível perceber, por exemplo, que por trás daquele cliente que não quer atender o representante da sua marca, não há necessariamente um mau produto, nem um mau vendedor. Lembro-me de um projeto numa indústria farmacêutica em que conversávamos sobre o papel das secretárias na relação entre médicos e representantes de vendas. Elas abriam ou fechavam as portas nos consultórios. Elas eram um dos fios enredados no problema da baixa adesão dos médicos aos produtos daquela empresa. Mas havia muito mais: havia um cansaço com o modelo de propaganda médica, havia uma série de vícios da indústria, havia novos concorrentes no mercado. Era um nó bem complicado desatar, mas fomos desatando através de perguntas. Isso permitiu que fizéssemos distinções, separando o joio do trigo, para escolher por onde começar. E não queremos começar por qualquer aspecto do problema, certo? Queremos encontrar uma pergunta poderosa, um bom ponto de alavancagem para resultados melhores e, porque não, para uma inovação acontecer! Mas…

  1. “Eu não tenho tempo “

O tempo, sempre ele… só que algo diferente acontece com o tempo quando temos uma pergunta realmente poderosa. É o processo de incubação. Ele acontece quando nada mais está acontecendo. Ele ocupa as pausas, os momentos em que os padrões mentais relaxam, ele não obedece ao tempo linear.

Não entendeu? Calma. Pense assim: a sua mente simplesmente não resiste a boas perguntas, então elas ficam morando em algum lugar dentro de você, como se um processador paralelo do seu cérebro se ocupasse delas. Você vai processando, processando… e às vezes, durante os momentos de divagação, ao tomar banho, ao dirigir ou meditar, a resposta vem à tona. Você tem um ahá, que parece repentino, mas não é. A sua mente estava trabalhando 24/7, aproveitando os momentos relaxados, em que seu pensamento estava mais livre. É aí que seus padrões mentais se soltam, como se sua mente estivesse um pouco bêbada (mesmo que você não tenha bebido :). Nessas horas, as grandes avenidas do pensamento usual, que utilizamos quando queremos resolver logo, deixam de ser o caminho mais atraente. E então você explora possibilidades, faz novas conexões e consegue ter ideias mais originais. Você incuba e algo emerge.

Eu sei, isso é muito estranho para nós, que vivemos numa cultura em que “se não sofrer, não está trabalhando”, mas, cara pálida, é isso: sua mente trabalha quando nada mais está acontecendo, não só quando você está se esbaforindo.

E o que tem o nó na garganta a ver com isso?

Ele fica entre a cabeça e o coração, entre o que pensamos e o que sentimos. O nó está nas perguntas que não queremos responder e às vezes nem verbalizar. Mas desatar esses nós é um alívio e ainda pode render bons frutos na sua carreira. Já pensou?

No próximo post, falaremos mais sobre isso. Até já.

 

PS: “quando nada mais está acontecendo” é o nome do Blog da escritora Noemi Jaffe, minha professora. Vale a pena ler.

 

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